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Ped Ajuda

TDAH: aumento dos casos ou intolerância à infância?

Na coluna Ped Ajuda, a pediatra Tainá Rodrigues explica como diferenciar o TDAH de comportamentos próprios da infância e quando buscar avaliação

Publicado em 25/08/2026 às 19:41
Atualizado em

Dra. Tainá Rodrigues (Foto: Acervo pessoal da dra. Tainá Rodrigues)

Garotinho com TDAH durante sessão com terapeuta profissional (Foto: Ilustração Canva)

Pai estressado com crianças agitadas (Foto: Ilustração Canva)

(Especial publicitário)


Cada vez mais ouvimos falar em TDAH — mas será que estamos diante de uma “epidemia” de diagnósticos ou estamos apenas reconhecendo melhor um transtorno que sempre existiu?

O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, conhecido como TDAH, é um quadro do neurodesenvolvimento que pode afetar a atenção, o controle dos impulsos e o nível de atividade infantil. Mas é importante lembrar: uma criança agitada, distraída ou muito ativa não necessariamente tem TDAH.

O diagnóstico não deve ser feito apenas porque a criança é inquieta ou apresenta dificuldades em algum momento. Para ser considerado um transtorno, é fundamental que os sintomas sejam persistentes e causem prejuízo significativo na vida da criança, especialmente no desempenho escolar, nas relações com colegas e familiares e nas atividades do dia a dia.

Estamos diagnosticando demais?


Hoje temos mais informação, profissionais mais atentas/os, maior acesso a especialistas e instrumentos de avaliação mais conhecidos. Crianças que no passado poderiam ser vistas apenas como “bagunceiras”, “desatentas” ou “difíceis” podem atualmente receber uma avaliação adequada.

Por outro lado, também precisamos ter cuidado para não transformar comportamentos próprios da infância em doença.

Crianças são curiosas, brincam, correm, exploram, fazem perguntas, têm energia e nem sempre conseguem permanecer concentradas por longos períodos. Ser ativa/o não é sinônimo de ter TDAH.

E o ambiente?

Antes de pensar em diagnóstico e medicação, é importante observar a rotina da criança.

O excesso de telas, por exemplo, pode estar associado a maior dificuldade de atenção e maior agitação. Da mesma forma, noites mal dormidas, rotina desorganizada, excesso de estímulos e pouco tempo para brincar e se movimentar podem modificar bastante o comportamento infantil.

O ambiente familiar também influencia. Crianças percebem e reproduzem comportamentos. Uma casa constantemente marcada por brigas, gritos, estresse e falta de rotina pode contribuir para alterações de comportamento.

Às vezes, não é apenas a criança que precisa mudar. É a rotina de toda a família que necessita ser reorganizada.

Isso não significa culpar mães e pais. Significa reconhecer que o comportamento infantil é resultado da interação entre a criança, a família, a escola e o ambiente em que ela vive.

Toda criança com TDAH precisa tomar remédio?


Não.

O tratamento do TDAH deve ser individualizado. Em alguns casos, medicamentos são muito importantes e podem melhorar significativamente a atenção, o controle dos impulsos, o desempenho escolar e a qualidade de vida.

Em outros, intervenções comportamentais, acompanhamento psicológico, orientação familiar, estratégias escolares e mudanças na rotina têm papel fundamental.

Quando indicado, o tratamento medicamentoso não deve ser visto como uma forma de “deixar a criança quieta”. O objetivo é reduzir os sintomas do transtorno e permitir que a criança consiga aprender, conviver e desenvolver todo o seu potencial.

Quem deve avaliar?

A pediatra tem um papel fundamental na triagem. Durante a consulta, pode avaliar o desenvolvimento, o comportamento, o sono, a rotina, o ambiente familiar e escolar e outras possíveis causas para as dificuldades apresentadas.

Quando necessário, a pediatra encaminha a criança para avaliação especializada, que pode envolver neuropediatra, psiquiatra da infância e adolescência, psicóloga/o, psicopedagoga/o e outrras/os profissionais.

O mais importante é evitar os dois extremos: nem toda criança agitada tem TDAH, mas uma criança que realmente apresenta o transtorno não deve ficar sem tratamento.

Na dúvida, consulte a pediatra de confiança.


Dra. Tainá Rodrigues

Consultório: Rua Eurico Vieira, 11A

Centro - Ibertioga/MG

WhatsApp: (32) 99862-5356

Fonte: Dra. Tainá Rodrigues

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