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Agosto Lilás

Violência contra a mulher: informação e acolhimento também salvam vidas

Campanha chega ao fim, mas a rede de apoio e os canais de denúncia seguem disponíveis para mulheres em situação de violência no Campo das Vertentes

Publicado em 28/08/2026 às 17:29
Atualizado em

(Foto: Ilustração Canva)

Laço lilás, símbolo do combate á violência contra a mulher (Foto: Ilustração Canva)

O Agosto Lilás chega ao fim na próxima segunda (31), mas o enfrentamento à violência contra a mulher precisa permanecer durante todo o ano. Criada em referência ao aniversário da Lei Maria da Penha que, em 2026, completa 20 anos, a campanha busca ampliar a informação sobre os diferentes tipos de violência e fortalecer os caminhos para que as vítimas possam buscar ajuda.

No Campo das Vertentes, a estrutura de atendimento varia de acordo com o porte de cada município. Enquanto cidades-polo, como Barbacena e São João del-Rei, contam com serviços e equipamentos especializados, municípios menores concentram parte do trabalho de prevenção e acolhimento nas equipes da assistência social e da saúde.

Em Barbacena, mulheres que possuem medida protetiva podem utilizar o botão do pânico integrado ao aplicativo municipal Fala Barbacena. A ferramenta permite o envio de um alerta geolocalizado para a Guarda Civil Municipal. No início de agosto, um acionamento do aplicativo contribuiu para a prisão em flagrante de um ex-companheiro por descumprimento de medida protetiva.

O município também conta com o aplicativo Ana, além da Casa da Mulher, da Patrulha da Mulher da Guarda Civil Municipal e da Patrulha de Prevenção à Violência Doméstica (PPVD) da Polícia Militar. As iniciativas ampliam as possibilidades de orientação, acolhimento e proteção às mulheres em situação de violência.

Em São João del-Rei, ações educativas realizadas por instituições como o IF Sudeste MG e a Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) abordam temas relacionados à violência contra a mulher, incluindo a identificação da violência psicológica. O município também dispõe de atendimento pelo Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) e pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM).

Já em municípios como Ibertioga, Antônio Carlos, Madre de Deus de Minas, Piedade do Rio Grande, Santana do Garambéu e Santa Rita de Ibitipoca, o trabalho de prevenção passa principalmente pelas equipes do CRAS e da Estratégia Saúde da Família (ESF), além da divulgação de informações sobre direitos e canais de denúncia.

Quando uma ocorrência exige medidas protetivas de urgência ou a abertura de investigação, os casos são encaminhados às estruturas regionais da Polícia Civil em Barbacena ou São João del-Rei.

Nem sempre a violência é percebida pela própria vítima


Para a psicóloga especialista em saúde mental, Fabiana Gomes, um dos desafios está justamente em reconhecer que determinadas atitudes dentro de um relacionamento também podem configurar violência.

Segundo ela, fatores culturais ainda influenciam a forma como muitas mulheres enxergam os próprios relacionamentos. A construção social que associa a mulher aos papéis de esposa, mãe e responsável pelo lar pode contribuir para a naturalização de comportamentos abusivos.

Fabiana explica que, em muitos casos, o agressor mantém uma imagem positiva fora de casa, enquanto a vítima enfrenta ameaças, humilhações e controle no ambiente doméstico. O medo de não ser acreditada ou de ser julgada por familiares e pela sociedade pode dificultar a busca por ajuda.

A dependência emocional também pode estar presente, inclusive entre mulheres com independência financeira e elevado nível de instrução.

Fabiana Gomes / Psicóloga / Ibertioga

Dependência

Por medo da solidão, carência, baixa autoestima e traumas passados, a mulher aceita o parceiro agressivo porque acredita que não encontrará ninguém melhor

Fabiana Gomes / Psicóloga / Ibertioga

O ciclo da violência

A especialista chama atenção ainda para o chamado ciclo da violência, que pode se repetir diversas vezes.

Na primeira fase, ocorre o aumento da tensão, marcado por comportamentos como irritação, humilhações e ameaças. Em seguida, acontece o ato de violência, que pode ser físico, verbal, psicológico, moral ou patrimonial.

Depois, vem a chamada “lua de mel”: o agressor demonstra arrependimento, promete mudanças e busca a reconciliação. A mulher pode então acreditar que o comportamento não voltará a acontecer, até que o ciclo recomece.

Reconhecer esse padrão é importante para compreender que a violência não se resume à agressão física. Ameaças, humilhações, controle, isolamento, violência patrimonial e outras formas de abuso também precisam ser levadas a sério.

A psicoterapia pode ser uma ferramenta importante nesse processo, contribuindo para o fortalecimento da autonomia, da autoestima e da capacidade de identificar relações abusivas e buscar alternativas de proteção.

Onde buscar ajuda

A campanha termina, mas os canais de atendimento permanecem disponíveis para mulheres que estejam vivendo situações de violência ou precisem de orientação.

WhatsApp FRIDA – Polícia Civil de Minas Gerais: a atendente virtual oferece acolhimento a vítimas de violência doméstica, orientações sobre a Lei Maria da Penha, informações jurídicas, esclarecimento de dúvidas e auxílio para o agendamento de atendimento presencial e para o pedido de medidas protetivas de urgência.

Barbacena: (31) 99387-4041 / (32) 98454-7403

São João del-Rei: (31) 98489-3468

Ligue 180: Central de Atendimento à Mulher, gratuita e anônima, em todo o país.

190: Polícia Militar, para situações de emergência ou flagrante.

181: Disque Denúncia Anônima de Minas Gerais.

Buscar ajuda não é exagero. Informação, acolhimento e uma rede de apoio podem ser o primeiro passo para interromper um ciclo de violência.

Fonte: Portal da Cidade Ibertioga

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