Ped Ajuda
Nem toda febre precisa de antibiótico: entenda quando o remédio é realmente necessário
Na coluna Ped Ajuda, a pediatra Dra. Tainá Rodrigues explica por que o uso de antibióticos deve ser criterioso e sempre orientado por avaliação médica
Publicado em
11/08/2026 às 19:37
Atualizado em
(Especial publicitário)
Antibiótico: é realmente necessário?
“Doutora, mas se a febre melhorou depois do antibiótico, não significa que ele estava fazendo efeito?”
Essa é uma dúvida muito comum no consultório. E a resposta é: nem sempre.
A grande maioria das infecções que acometem as crianças é causada por vírus — estima-se que cerca de 90% das infecções comuns da infância tenham origem viral. Vírus não respondem a antibióticos. O antibiótico é um medicamento destinado ao tratamento de infecções causadas por bactérias.
É importante lembrar também que muitas infecções virais melhoram naturalmente em 48 a 72 horas. Por isso, quando uma criança começa um antibiótico e a febre desaparece dois ou três dias depois, pode haver apenas uma coincidência: a infecção viral estava chegando ao seu período natural de melhora.
Isso acontece, por exemplo, nas infecções de garganta. A presença de placas ou pontinhos brancos nas amígdalas não significa, sozinha, que a infecção seja bacteriana. Em crianças menores de três anos, principalmente quando existem sintomas típicos de gripe ou resfriado, como coriza, tosse e congestão nasal, uma infecção bacteriana por estreptococo é pouco provável e, na maioria das vezes, não há indicação de antibiótico.
E aquela febre de 39°C, 39,5°C ou até mais? Febre alta também não é sinônimo de infecção bacteriana. Algumas viroses provocam febre bastante elevada. Mais importante do que olhar apenas para o número do termômetro é avaliar a criança como um todo: estado geral, hidratação, respiração, comportamento e os demais sinais e sintomas.
Mas por que, às vezes, a pediatra suspende um antibiótico que já foi iniciado?

Porque, durante a avaliação, podem surgir novas informações. O quadro pode se tornar claramente compatível com uma infecção viral, exames podem não indicar uma infecção bacteriana ou simplesmente pode ficar evidente que o antibiótico não está trazendo benefício.
Nessas situações, suspender o antibiótico pode ser justamente a decisão mais cuidadosa.
O uso desnecessário de antibióticos não é inofensivo. Pode causar diarreia, vômitos, reações alérgicas e outros efeitos adversos, além de prejudicar as bactérias benéficas do intestino, importantes para a saúde e para a defesa do organismo. E existe uma preocupação ainda maior: o uso indiscriminado favorece o desenvolvimento de bactérias resistentes, tornando algumas infecções futuras mais difíceis de tratar.
Por isso, se a pediatra de confiança avaliar sua filha ou seu filho e decidir suspender um antibiótico, entenda que isso não significa “deixar de tratar”.
Muitas vezes, estudar o caso, reavaliar a criança e decidir pela suspensão dá mais trabalho do que simplesmente manter uma receita. Mas medicina não é prescrever mais medicamentos. É escolher aquilo que realmente pode beneficiar a/o paciente.
Cuidar também é saber quando não usar um remédio.
Antibióticos são medicamentos muito importantes e salvam vidas quando indicados. Mas nem toda febre precisa de antibiótico. Nem toda dor de garganta precisa de antibiótico. Nem toda placa na garganta significa bactéria.
Medicina é cuidar, observar, reavaliar e agir sempre pensando no melhor para a criança. Na dúvida, consulte sempre a pediatra de confiança.
Dra. Tainá Rodrigues
Consultório: Rua Eurico Vieira, 11A
Centro - Ibertioga/MG
Fonte: Dra. Tainá Rodrigues
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