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Ped Ajuda

Bets e adolescentes: o perigo das apostas que cresce dentro de casa

Na coluna Ped Ajuda, a pediatra Dra. Tainá Rodrigues alerta para os riscos das apostas online e os impactos na saúde de crianças e adolescentes

Publicado em 14/07/2026 às 19:46
Atualizado em

Dra. Tainá Rodrigues (Foto: Acervo pessoal da dra. Tainá Rodrigues)

Adolescentes apostando em um jogo de futebol (Foto: Ilustração Canva / Gemini)

(Especial publicitário)


A era digital e os jogos de apostas: um novo risco para a saúde de crianças e adolescentes

Semana passada atendi um adolescente que me relatou, com toda naturalidade, usar o celular para fazer jogos de apostas. Aquela conversa me fez refletir sobre um problema que vem crescendo silenciosamente e que já deve ser encarado como uma questão de saúde pública: o acesso de crianças e adolescentes às chamadas "bets".

As apostas online são proibidas para menores de 18 anos, mas, infelizmente, muitos e muitas jovens conseguem acessar essas plataformas com facilidade. 

O grande problema é que o cérebro da criança e do/a adolescente ainda está em desenvolvimento, principalmente a área responsável pelo controle dos impulsos e pela tomada de decisões. Isso faz com que sejam muito mais vulneráveis à busca por recompensas rápidas e à dificuldade de reconhecer os riscos.

As plataformas de apostas sabem disso. Utilizam cores chamativas, jogos envolventes, personagens atrativos e a falsa promessa de ganhar dinheiro de forma fácil. Além disso, a intensa publicidade, especialmente durante transmissões de futebol e nas redes sociais, faz com que as apostas pareçam algo comum e até divertido. 

Efeitos negativos das apostas são piores em crianças e adolescentes

Estudos mostram que crianças e adolescentes têm entre duas e quatro vezes mais chance de desenvolver problemas relacionados ao jogo do que pessoas adultas. As consequências podem ser graves: endividamento, ansiedade, depressão, queda no rendimento escolar, conflitos familiares, comportamentos agressivos, maior risco de uso de álcool e outras drogas e, nos casos mais graves, pensamentos suicidas.

É importante lembrar que não existe dinheiro fácil. Como explica a psicóloga Isabel Kahn, da PUC-SP, a aposta cria uma ilusão de recompensa rápida, o que exerce enorme poder de atração sobre jovens.

Prevenção em casa e na escola

A prevenção começa dentro de casa. Mães, pais e responsáveis devem acompanhar o uso da internet, conhecer os aplicativos instalados no celular de filhas e filhos e estabelecer regras claras sobre o uso das telas. O diálogo também é fundamental. Conversar sobre os riscos das apostas, explicar como elas funcionam e mostrar que a maioria das pessoas perde dinheiro é muito mais eficaz do que apenas proibir.

Outro cuidado importante é orientar crianças e adolescentes a não seguirem influenciadores/as digitais que fazem propaganda de casas de apostas, pois esse tipo de conteúdo transmite uma falsa impressão de sucesso e lucro garantido.

As escolas também têm um papel importante ao promover atividades educativas sobre educação financeira, pensamento crítico e os riscos dos jogos de azar. Da mesma forma, campanhas de conscientização e leis mais rigorosas para limitar a publicidade dirigida a jovens são medidas importantes.

Diálogo e apoio profissional são essenciais

Se houver suspeita de que um ou uma adolescente já esteja apostando, é importante agir rapidamente: conversar sem julgamentos, bloquear o acesso aos sites e aplicativos e, quando necessário, procurar acompanhamento com psicóloga ou psiquiatra.

Assim como orientamos nossas filhas e filhos sobre os perigos do cigarro, do álcool e das drogas, precisamos incluir as apostas nessa conversa. Proteger nossas crianças também significa ensiná-las que não existe atalho para o sucesso e que, nas bets, quem quase sempre ganha é a plataforma, nunca o/a atleta.

Em caso de dúvidas, procure a pediatra de confiança. 


Dra. Tainá Rodrigues

Consultório: Rua Eurico Vieira, 11A

Centro - Ibertioga/MG

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Fonte: Dra. Tainá Rodrigues

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