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Cinema e Memória

"O Silêncio de Eva" resgata atriz esquecida do cinema mudo brasileiro

Documentário dirigido por Elza Cataldo e estrelado por Inês Peixoto estreia hoje em BH e resgata a misteriosa trajetória de Eva Nil, ícone do cinema mudo

Publicado em 25/03/2026 às 21:01
Atualizado em

O Silencio de Eva - Elza Cataldo (Foto: Divulgação)

O Silencio de Eva - Elza Cataldo (Foto: Divulgação)

O Silencio de Eva - Elza Cataldo (Foto: Divulgação)

O Silencio de Eva - Elza Cataldo (Foto: Divulgação)

O Silencio de Eva - Elza Cataldo (Foto: Divulgação)

O Silencio de Eva - Elza Cataldo (Foto: Divulgação)

Diretora Elza Cataldo (Foto: Divulgação)

Cartaz do documentário (Foto: Divulgação)

O documentário O Silêncio de Eva, dirigido por Elza Cataldo e estrelado pelas atrizes Inês Peixoto e Bárbara Luz, estreia nesta quinta-feira (26) no Una Cine Belas Artes, em Belo Horizonte. A obra apresenta uma narrativa sensível e poética sobre a vida de Eva Nil, uma das figuras mais enigmáticas do cinema mudo brasileiro, propondo uma reflexão sobre memória, apagamento e reconstrução histórica.

Eva Nil — nome artístico de Eva Comello — nasceu no Cairo, Egito, em 1908, filha de italianos, e veio ainda criança para o Brasil, fixando-se em Cataguases, importante polo do cinema nacional nas primeiras décadas do século XX. Tornou-se um dos principais nomes femininos do chamado Ciclo de Cataguases, atuando em filmes dirigidos por Humberto Mauro, como Valadião, o Cratera (1925) e Na Primavera da Vida (1926).

No auge da carreira, no final dos anos 1920, abandonou o cinema de forma abrupta, recusou convites para retornar às telas e passou a se dedicar à fotografia. A trajetória de Eva, marcada por talento, ruptura e mistério, é o ponto de partida do filme.


Com direção e produção de Elza Cataldo, o documentário se constrói a partir de uma investigação que mistura pesquisa histórica e encenação, criando uma linguagem híbrida que ultrapassa os limites do formato tradicional. A diretora aposta em uma abordagem estética que valoriza os silêncios, os vestígios e as lacunas deixadas pelo tempo, transformando a ausência em narrativa.

O filme incorpora materiais de arquivo, como fotografias, fragmentos do cinema mudo e imagens históricas de Cataguases, combinados a registros contemporâneos, depoimentos e conversas com especialistas. Entre os elementos mais singulares está a recriação de cenas inspiradas em obras perdidas de Eva Nil e a reconstituição de processos do cinema da década de 1920.

A narrativa é conduzida por Inês Peixoto, atriz e diretora integrante do Grupo Galpão desde 1992, que percorre os caminhos de Eva Nil em uma espécie de busca íntima e artística. Ao revisitar registros escassos e reconstruir episódios da trajetória da atriz, Inês estabelece um diálogo entre passado e presente, refletindo sobre o lugar das mulheres na história do cinema.


Ela contracena com a própria filha, Bárbara Luz, responsável por dar vida a Eva Nil nas sequências encenadas.  A jovem atriz fez parte do elenco de Ainda estou aqui (2024), longa vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional, o primeiro do Brasil. Além da dupla, o elenco conta com Eduardo Moreira — fundador do Grupo Galpão e um dos principais nomes do teatro brasileiro —, João Perdigão, Luís Parras, João Vitório e José Vilaça.

O roteiro é assinado por Christiane Tassis, Inês Peixoto e Elza Cataldo. A equipe técnica inclui direção de arte de Moacyr Gramacho, direção de fotografia de Fernanda Tanaka e Marcelo Borja, figurino de Sayonara Lopes e montagem de Armando Mendz.

Elza Cataldo tem formação em Cinematografia pela Universidade de Nanterre e doutorado pela Sorbonne. Entre seus trabalhos anteriores estão o longa As Órfãs da Rainha, premiado nos festivais de Toronto e Los Angeles, e Vinho de Rosas, que rendeu a ela o prêmio de Melhor Diretora Estreante no Festival Internacional de Batumi, na Geórgia.

Veja o trailer do documentário



Fonte: Luz Comunicação

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