Pedra de Amolar
A delicadeza do espanto: Juliana Prado estreia nova coluna no Portal
Natural de São João del-Rei, Juliana Prado estreia no Portal com textos quinzenais marcados por sensibilidade, crítica e poesia, na coluna Pedra de Amolar.
Publicado em
21/04/2026 às 15:38
Atualizado em
Sou jornalista formada pela minha querida Universidade Federal de Juiz de Fora, com experiência em jornalismo de rádio, impresso e online. A política e a cultura são minhas sinas na profissão.
Atuei como repórter de política, desde sempre, e na cobertura de eleições desde o ano 2002. Fiz pós-graduação em Estudos Literários, onde fui apurar poesia em bateia, como quem vai atrás de ouro.
Poesia + política. Sempre.
Repórter por natureza, indignada. Defendo o que é justo. Acima de tudo.
Escrevo por urgência e magia. Sem largar mão de uma dose mística de intuição. O espanto é o que me guia.
Um pouco da magia que vem por aí...
Juliana Prado é natural de São João del-Rei.
Leia a seguir um de seus mais lindos poemas. A partir de agora, a cada quinze dias, vocês vão poder se deleitar com a magia das palavras de nossa conterrânea.
O Ofício do Espanto
Ainda bem que eu sou é latina. Barroca. E tonta. Eu comemoro coisa boba. Tipo gente que chama advíncula. Estátua nova de santo. Eu tenho, por exemplo, um São José dormindo. Só gente tonta não reconhece a beleza de um São José dormindo.
Até ateu sabe que um santo, quando dorme, deixa de ser bento. Vira uma espécie de gente. Santo que dorme é olhado. Quando a vida aperta, recorre a colega de manto. Eu gosto de coisa à toa: do tipo pipoca, sábado cedo, lona de circo. Nasci embaixo de igreja. Mas cismo mesmo é com quebranto.
Sou tanto das coisas bobas que comemoro queda de estrela, espirro de bicho e roda de velho cheirando rapé. O rapé força o espirro. E dá sentido à vida. É que a vida é de quem se espanta. Eu, do meu modo, não abro mão dos meus santos. Sou São José dormindo, Maria das Graças acordando. E Menino Jesus intermediando.
Eu nasci pra benzida. Não me batizaram. Fui chafurdada na pia. De corpo, alma e espanto. Não sei por que não sou no papel a ‘Juliana do Espírito Santo’. Eu gosto é de coisa simples. Sou de bolo, evangelho e esperança.
Hoje eu chorei. Mas São José tava lá, descansando. Pedi uma beira. E juntos choramos. Depois, quietinhos, nós dois ressuscitamos. Porque até quem é bem ateu faz cruz de canto a canto. Quando ninguém tá olhando.
Juliana Prado
Fonte: Juliana Prado
Notícias relacionadas
Barbacena completa 235 anos entre flores, cultura e memória
14/08/2026 às 19:48
O vestido de, finalmente, acordar
14/08/2026 às 18:52
Mostra de Cinema de Tiradentes leva sessões, oficina e atividades gratuitas à comunidade
11/08/2026 às 10:44
Boa comida, música ao vivo e encontros marcam o Festival Sabores de Ibertioga
06/08/2026 às 19:24
O mistério da mulher do olho de vidro
31/07/2026 às 19:34
Rafaela Andretto é eleita Rainha do Festival de Carros de Boi de Ibertioga
24/07/2026 às 18:30