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Entre emoções

Quando a comparação se torna uma armadilha: o impacto das redes sociais na autoestima

Na coluna Entre Emoções, a psicóloga Fabiana Gomes reflete sobre os efeitos da comparação digital na autoestima

Publicado em 04/06/2026 às 18:32
Atualizado em

Fabiana Gomes (Foto: Acervo pessoal de Fabiana Gomes)

(Especial publicitário)


A autoestima não é apenas olhar no espelho e se ver bonita ou bonito, é valor que a pessoa dá a si mesma, às suas emoções e aos seus sentimentos. Em tempos de redes sociais e inteligência artificial, a busca pela perfeição e comparação tem tido grande influência negativa na vidas das pessoas, principalmente na juventude.

Cria-se uma ilusão, uma idealização de imagem, corpo, família e vidas perfeitas, que faz que a pessoa se compare, passa a não olhar para seu próprio valor e sim para a ilusão alheia que vê nos aplicativos. O/a adulto/a que sofreu críticas na infância, que era comparado/a com irmã, irmão, primas, primos ou colegas de escola, cresce acreditando que seu valor precisa ser comparado e superado, sempre buscando a perfeição e a valorização que "aprendeu" que era o correto. 

Com o avanço e o acesso à mídia, a autoestima tem sido foco de debate. "Se eu não sou perfeito como o outro, se não tenho o emprego bem remunerado, se não tenho a pele, corpo e beleza segundo o padrão de beleza imposta nos filtros de fotos e vídeos dos perfis que eu sigo, eu não me torno uma pessoa confiante, o sentimento de fracasso vai me conduzir."

O perigo da falta de autoestima

A pessoa passa a se olhar no espelho e não gosta do que vê, ou ela vai passar a se empenhar em perder de si para alcançar a imagem perfeita da Internet, esquece que ela é um ser de valor, de pontos fortes a serem trabalhos, com suas próprias conquistas, realizações, alcançando assim a sua própria perfeição. 

Quantos jovens hoje estão sofrendo com baixa autoestima devido as redes sociais, quantos casais, se distanciam porque se comparam com personagem de novelas e comerciais de margarina, quantos homens e mulheres trabalhadores e trabalhadoras esforçados/as se sentem na miséria porque acreditam que a ostentação exposta nas redes é sinônimo da real felicidade?

Pessoas procurando fórmulas fáceis de emagrecimento, cirurgias desnecessárias, peles de porcelanas de filtros... havendo casos até mesmo de depressão e tendência suicida quando há a frustração de não alcançar a imagem perfeita.

A psicoterapia como resgate da autoestima

Na base psicanalítica, trazemos que nós adultos/as somos nossa criança ferida. Por isso a importância de mães e pais trabalharem a confiança, a valorização e a autoestima de suas filhas e seus filhos como pessoas reais, nas quais cada um/a tem seu valor, confiança, desenvolvimento, autonomia, e seus próprios caminhos, independente do padrão de beleza, perfeição e ostentação ofertado no mundo digital. 

Autoestima é se levantar todos os dias confiante na pessoa que você é, sabendo que sua maior perfeição sera a liberdade de desatar as amarras da comparação, você é sua própria perfeição!

A psicoterapia tem papel fundamental no trabalho de resgate da autoestima, autonomia, confiança, buscando ajudar a potencializar o valor da pessoa enquanto pessoa, não enquanto imagem gerada por filtros ou inteligência artificial. 


Fabiana Gomes

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