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Ainda que tardia

Seu dinheiro vale cada vez menos. Você sabe por quê?

Na coluna Ainda que Tardia, Adrimar Nascimento explica como a inflação reduz o poder de compra e por que investir ajuda a proteger o que você já conquistou

Publicado em 30/06/2026 às 21:55
Atualizado em

Carteira vazia (Foto: Ilustração Canva)

Investir é o melhor caminho (Foto: Ilustração Canva)

(Especial publicitário)


Imagine entrar em um supermercado, encher o carrinho até a borda com carnes nobres, produtos de limpeza, laticínios e ainda sair com o tanque do carro cheio pagando apenas uma nota de cem reais. Não se trata de uma realidade paralela, mas do Brasil de julho de 1994, quando o Plano Real dava seus primeiros passos. Três décadas depois, a mesma nota de R$ 100 mal compra dois quilos de carne. Essa derretida no seu bolso tem um nome bem conhecido: inflação.

A inflação funciona como um imposto invisível que pune diariamente as cidadãs e os cidadãos. Ela não altera o número impresso na cédula, mas corrói o que aquela cédula consegue trazer para dentro da sua casa. Ao longo dos anos, o poder de compra da população é severamente esmagado se os ganhos não acompanharem o ritmo dessa corrosão.

Para entender o tamanho do estrago, basta olhar para o retrovisor e comparar os preços da estreia do Real com os dias de hoje. Em 1994, o quilo da picanha custava cerca de R$ 4,00. Hoje, o/a consumidor/a desembolsa entre R$ 60,00 e R$ 80,00 pela mesma quantidade.

Abastecer o carro com um litro de gasolina custava R$ 0,55 no lançamento da moeda. Atualmente, o preço nas bombas exige um valor quase doze vezes maior.

A nota de R$ 100: O poder de compra de uma única nota de R$ 100 de trinta anos atrás equivale a quase R$ 900 em dinheiro de hoje, como mostra a imagem abaixo. 


Diante desse cenário de perdas inevitáveis, deixar o dinheiro parado é aceitar ficar mais pobre a cada dia. Essa é a sensação de muitas pessoas. Adquirir algo fica cada vez mais difícil, os produtos parecem que vão se distanciando da renda. É exatamente aqui que se estabelece o divisor de águas entre quem perde e quem se protege: investir. 

Quem investe não estã apenas buscando enriquecimento rápido, mas construindo um escudo de sobrevivência financeira. Quando você aloca seus recursos em ativos indexados à inflação (como o Tesouro IPCA+) ou em boas ações de empresas que repassam o aumento de custos para os seus produtos, você garante que o seu patrimônio cresça acima da carestia.

O investidor ou a investidora inteligente não foca no valor nominal do dinheiro, mas no seu poder de compra real. Enquanto a inflação devora o futuro dos/as desavisados/as, os investimentos garantem que os seus R$ 100 de hoje continuem fortes o suficiente para pagar a picanha e a gasolina de amanhã.


O/A brasileiro/a viveu muitos anos com a companhia da inflação. Por décadas ela era galopante. Depois de 1994, esse galope foi contido, mas ainda continua em um passo bem acelerado. Como isso, podemos achar que é normal o dinheiro perder tanto valor. Mas basta comparar com países mais austeros pra perceber que não é bem assim. 

Nos países da Europa, a inflação não alcança números tão elevados. Enquanto a inflação acumulada do Real desde 1994 passa dos 800%, o Euro, criado em 1999, enfrentou uma desvalorização consideravelmente menor no mesmo período, mantendo os preços na Europa muito mais estáveis no longo prazo.

No lançamento do Euro, um café na Itália custava cerca de € 0,90 e hoje sai por € 1,20 a € 1,50. Já no Brasil, produtos que custavam centavos na estreia do Real hoje passam de dezenas de reais. 

Em um país em que os sucessivos governos não costumam fazer grande esforço pra conter a inflação (observe que a meta é ter inflação de 3% ao ano), é de extrema importância que parte do que ganhamos continue mantendo seu valor ao longo dos anos. Por isso, investir tem esse papel primordial na vida das pessoas. 

Estudar e entender o mudo dos investimentos se torna praticamente uma obrigação, porque o outro caminho é ver o patrimônio e a renda cada dia valendo menos. 


Adrimar Nascimento - Investidor

Contato: traderadri@gmail.com



Fonte: Adrimar Nascimento

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