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Serra da Mantiqueira

Nas Terras Altas da Mantiqueira, Baependi une religiosidade e cultura cafeeira

Roteiro revela experiências únicas em cultura, gastronomia e turismo em uma das cidades mais acolhedoras do Sul de Minas

Publicado em 01/11/2025 às 19:52
Atualizado em

Quartinho de Nhá Chica (Foto: Mariana Borges)

Café Seival na xícara (Foto: Mariana Borges)

(Foto: Amanda Canhestro)

(Foto: Amanda Canhestro)

Secretária estadual de Cultura e Tursimo, Bárbara Botega (Foto: Amanda Canhestro)

(Foto: Amanda Canhestro)

(Foto: Amanda Canhestro)

(Foto: Amanda Canhestro)

(Foto: Mariana Borges)

(Foto: Amanda Canhestro)

Ragu de frango caipira com polenta cremosa de milho verde e crispy de quiabo (Foto: Amanda Canhestro)

(Foto: Amanda Canhestro)

Dimas Borges mostra os pés de café que planta na fazenda (Foto: Mariana Borges)

Fabi Rodrigues e Bárbara Botega (Foto: Amanda Canhestro)

Dimas Borges e o pé de café (Foto: Mariana Borges)

Jornalistas com a turismóloga Flávia Lara (Foto: Mariana Borges)

Turismóloga Flávia Lara (Foto: Mariana Borges)

Grãos de café (Foto: Mariana Borges)

Jornalistas e equipe da Secretaria de Cultura e Turismo de Bapendi com Dimas Borges (Foto: Mariana Borges)

Sobremes deliciosa da chef Fabi Rodrigues (Foto: Amanda Canhestro)

Pés de café (Foto: Mariana Borges)

A aventura em direção às Terras Altas da Mantiqueira começou um dia antes de colocar a van na estrada. O grupo de 30 jornalistas de todo o Brasil foi recepcionado no Cumbucca, espaço de vivências gastronômicas e de difusão da cultura mineira, localizado dentro do Mercado Central de Belo Horizonte, um dos pontos turísticos mais tradicionais da capital mineira.

A secretária de Cultura e Turismo do Estado de Minas Gerais, Bárbara Botega, esteve presente e deu as boas-vindas. Como não poderia ser diferente, o cardápio foi assinado pela talentosa chef executiva do Cumbucca, Fabi Rodrigues, dona de um inigualável talento para valorizar a culinária mineira tradicional. Destaque para o Picolé Mineiro (de torresmo), com geleia de jabuticaba, o ragu de frango caipira com polenta cremosa de milho verde e crispy de quiabo e a sobremesa com figo caramelado, queijo minas e torta de doce de leite, que lembrava uma irresistível iguaria alemã. A trilha sonora ficou por conta do DJ Balzzac, que entregou música de qualidade com muita energia e talento.

Rumo a Baependi

Na manhã seguinte, a van partiu rumo a Baependi, com uma parada estratégica na famosa Venda do Chico, em Três Corações, considerada uma das três melhores paradas de estrada de Minas. Perde apenas para a inigualável Roselanche, em Barbacena; e pra Formiga Doceira, em Mateus Leme.

O restaurante/café, de ambiente rústico, serve um generoso rodízio de comida mineira, com pratos típicos como couve, frango com quiabo, frango ao molho pardo (feito sem sangue), costela de porco com mandioca, linguiça caseira e filé de tilápia. Já no clima do exagero culinário que faz parte do dia a dia de Minas, a viagem seguiu.

A Venda do Chico que visitamos fica na Rodovia Fernão Dias, 742. Pista Sul. @vendadochico

Café Seival: do pé à Xícara

Depois de um almoço farto, nada melhor que um café premiado. Fomos conhecer o Café Seival, em Baependi, comandando pelo apaixonado produtor Dimas Borges. Ele mesmo dirige um ônibus que leva os e as visitantes até a parte mais alta da fazenda, onde está um dos cafezais que originam a bebida de alta qualidade produzida ali.

Dimas já tem toda uma estrutura montada para receber turistas. O caminho até o cafezal é limpo e uma construção em madeira permite ver, do alto, detalhes dos pés de café, cultivados entre 1050 e 1100 metros de altitude. As variedades incluem Icatu, Catucaí e Mundo Novo. Em outra parte, é possível adentrar nas “ruas” que separam uma linha de pés de café da outra.

O Café Seival é uma história de sucesso familiar. Os pais de Dimas plantaram as primeiras mudas da bebida, no bairro Seival, em 1975. Dimas assumiu a fazenda dez anos depois, em 1985, e decidiu aprimorar o que já havia aprendido. Em 2010, o empresário investiu na produção de cafés especiais, o que garantiu o sucesso do empreendimento. Em 2016, comprou um torrador e começou a torrefação do café que plantava.

Café fermentado e quitandas deliciosas

A visita continua em um pequeno armazém, onde é possível conhecer o beneficiamento e o armazenamento do café cru. Dimas explica que o produto pertence à Indicação Geográfica (IG) Serra da Mantiqueira de Minas Gerais, que abrange Baependi e mais 24 municípios da região, com terroir próprio e reconhecido. Ele mostra o selo de rastreabilidade da Mantiqueira, com um QR Code nas embalagens, que permite a quem compra verificar o tipo de café, a pontuação e a origem.

Os cafés produzidos na fazenda, geralmente, têm pontuação de 84 ou mais, condição para ser considerado especial. A bebida tem corpo suave e delicado, acidez equilibrada e doçura marcante. As notas lembram chocolate e caramelo. Dimas explica que tudo influi para garantir a qualidade do café. “Depende da hora que você colhe, do ponto de maturação e do processo de pós-colheita. Depois de colher, você tem que saber trabalhar o café. Você pode estragar o café despois de colhido”, alerta.

O próximo passo foi conhecer a torrefação, onde o cheiro delicioso do café pairava por todo o cômodo. A produção por safra é de cerca de 2500 sacas nas quatro propriedades e o café já recebeu reconhecimento como, em 2020, no concurso da Cooperativa Central de Cafeicultores e Agropecuaristas de Minas Gerais (Coccamig), uma das mais importantes do estado.

Também conhecemos o café Mulher, produzido pela esposa de Dimas, Cibele Borges. Ela faz parte da Associação das Mulheres do Agronegócio (AMA), da Cooperativa de Varginha. São todas mulheres cafeiculturas e cada uma produz um tipo da bebida na própria fazenda.

Chegou a hora mais esperada: degustação de cafés com deliciosas quitandas da terra. Todos os produtos respondem ao sabor delicado e agradável que se espera. Um dos mais interessantes é o café fermentado, chamado Caminho das Águas, por causa das muitas cachoeiras da cidade, e é produzido apenas com grãos maduros e através de uma fermentação controlada. Para conhecer a experiência Do Pé à Xícara Café Seival ou comprar um café premiado, basta entrar em contato no WhatApp (35) 98423-3341. @cafeseival. A entrega é feita em todo o Brasil.

A fé que move Baependi: o legado de Nhá Chica

Em seguida, fomos conhecer um dos pontos turísticos mais famosos de Baependi, o santuário de Nossa Senhora da Conceição da Beata Nhá Chica, lugar de peregrinação religiosa de turistas regionais e de todo do Brasil. O advogado e conselheiro voluntário Ítalo Junqueira guiou o grupo pelos espaços do santuário, que hospeda os restos mortais da beata.

Começamos pela pequena casa onde Nhá Chica viveu, e onde ainda são preservados alguns móveis e utensílios. Era em um minúsculo quarto onde a Beata, humildemente, recebia fiéis que vinham ouvir os conselhos dela e pedir intercessão junto à Nossa Senhora.

No memorial dedicado à Nhá Chica, é possível aprender mais sobre a vida da beata. Francisca de Paula de Jesus nasceu em 1808, em Santo Antônio do rio das Mortes, distrito de São João del-Rei. Filha de uma ex-esravizada, Izabel Maria da Silva, por volta de 1818, a beata mudou-se para Baependi, junto com a mãe e irmão. Nhá Chica dedicou-se à vida religiosa e à caridade. Recebeu uma herança depois do falecimento do irmão e usou parte do dinheiro para erguer, em 30 anos, o santuário a pedido de Nossa Senhora da Conceição de quem era devota.

Beatificação, canonização e Paulo Coelho

Nhá Chica morreu em 14 de junho de 1895, aos 87 anos. O velório durou quatro dias e fiéis afirmam haver sentido cheiro de rosas do corpo da beata morta, o que foi considerado um sinal de santidade. Nhá Chica foi beatificada em 4 de maio de 2013, tornando-se a primeira beata leiga brasileira.

Ítalo explica que agora Nhá Chica está em processo de canonização, o que exige comprovar um milagre realizado após ela ser beatificada. “Quando chega algum depoimento muito diferente pra nós que possa ser um milagre, a gente pede a documentação. A gente manda primeiro pros médicos daqui pra analisarem pra ver se realmente é um milagre. Se tiver possibilidade, a gente tem que mandar pra Campanha (Arquidiocese responsável por Baependi) que manda pro Vaticano”, conclui.

Em frente ao Santuário, uma grande estatua de Nhá Chica reproduz, com precisão, a imagem da única foto existente da beata. Segundo Ítalo, quem mandou esculpir a estátua foi o escritor Paulo Coelho, em agradecimento após conseguir se tornar um escritor, graça concedida por intervenção da beata. Ele dedicou o livro Maktub a ela.

Para informações sobre o santuário e a beata, basta entrar em contato com o Instituto Nhá Chica. (35) 3343-1077. @institutonhachicaoficial

História e arte na Matriz de Nossa Senhora de Montserrat

Nossa Senhora de Montserrat é a padroeira da Catalunha, na Espanha. A imagem original fica em um belíssimo monastério, encravado no alto de uma montanha considerada sagrada. Por causa dela, um dos nomes mais comuns na comunidade autônoma é Montse e uma das mais famosas é a cantora lírica Montserrat Caballé. A fé em Nossa Senhora de Montserrat não ficou restrita à Catalunha, espalhou-se por toda a península ibérica e foi através de um português que chegou a Baependi, em Minas Gerais.

Os exploradores apareceram na região por volta de 1692, em busca de ouro e fundaram o povoado. O primeiro morador a construir uma casa foi o português capitão Tomé Rodrigues Nogueira do Ó, que se instalou na então localidade por volta de 1717, e construiu uma casa e uma capela em devoção à virgem espanhola. Ele trouxe a imagem de Nossa Senhora de Montserrat, que está hoje na matriz.

Nossa guia foi a turismóloga Flávia Lara. “Baependi cresceu em torno da matriz”, conta. A localidade tornou-se freguesia em 1752, vila em 1814 e cidade, em 2 de maio de 1856. Baependi se desenvolveu ao longo da Estrada Real e a economia era baseada em mineração, depois agricultura e pecuária, com destaque para o cultivo do tabaco no século XX.

Homenagem à flora local no interior da matriz

Segundo Flávia, a matriz, de 1754, é uma combinação de estilos, como o barroco e o rococó. O belo interior da igreja é rico em esculturas e entalhes de madeira que rendem homenagem à flora local. “É possível encontrar plantas como café, cachos de uvas e folhas de fumo, o que torna a igreja única em seu estilo”, explica Flávia. Além disso, há registros históricos de obras do importante pintor e escultor de São João del-Rei, Joaquim José da Natividade, que está enterrado no cemitério das Mercês, em Baependi. Também há obras do entalhador Macedo de Suassuí.

A matriz foi tombada pelo IPHAN em 1953. Mas, este tombamento só foi descoberto anos depois. Por este motivo, o tombamento do município é mais recente, data de 1998. O altar-mor da igreja matriz foi doado pela beata Nhá Chica, quando ela recebeu a herança do irmão e atendeu o pedido dele para que fosse colocado ouro no local. Uma curiosidade é que, nas capelas laterais, há imagens pintadas no teto que produzem ilusões óticas quando as pessoas olham para elas. É um desafio interessante descobrir o que acontece.

Mais informações através do Instagram da Paróquia de Santa Maria de Baependi. @_paroquiasantamariadebaependi_

Jantamos no Baepenbeach bar, que combina o estilo bar de praia com quadras de beach tennis. Drinks especiais e petiscos saborosos. @bepenbeachbar

A jornalista e diretora do Portal da Cidade, Adriana Ibiti, viajou a convite da Secretaria de Cultura e Turismo do governo do Estado.


Fonte: Portal da Cidade Ibertioga

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