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proteção à infância

Maio Laranja reforça combate à violência sexual infantil

Campanha nacional mobiliza ações e chama atenção para sinais que podem indicar abuso infantil. Especialista alerta para a importância de ouvir as crianças

Publicado em 18/05/2026 às 20:07
Atualizado em

Criança triste (Foto: Ilustração Canva)

Neste 18 de maio, o Brasil volta os olhos para uma das formas mais graves de violência contra a infância e a adolescência. A data marca o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes e integra a campanha Maio Laranja, que mobiliza escolas, órgãos públicos, profissionais da saúde, conselhos tutelares e entidades de proteção em todo o país.

A campanha nacional “Faça Bonito” busca conscientizar a comunidade sobre a importância da prevenção, da escuta e da denúncia de casos de violência sexual infantil. Neste ano, ações educativas, palestras e mobilizações vêm sendo realizadas em diversas cidades mineiras, incluindo municípios da região do Campo das Vertentes.

Dados preocupam

Além da conscientização, os números reforçam a gravidade do problema. Um levantamento divulgado pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), com base em boletins de ocorrência registrados pela Polícia Civil entre fevereiro de 2025 e fevereiro de 2026, apontou 4.101 ocorrências de estupro de vulnerável contra crianças menores de 14 anos no estado.

Do total, 97,27% dos casos foram consumados. Em 235 ocorrências, a violência sexual resultou em gravidez.

Os dados mostram ainda que, em mais da metade dos casos — 52,8% — o agressor fazia parte do círculo familiar ou de confiança da vítima.

Especialista alerta sobre os sinais de violência

A psicóloga barbacenense Fabiana Gomes, especialista em saúde mental e com atuação na região de Ibertioga, alerta que mudanças no comportamento de crianças e adolescentes podem indicar situações de abuso.

“Os pais e até mesmo professores das crianças começam a notar mudanças no comportamento”, explica.

Segundo ela, sinais como medo de determinados lugares ou pessoas, isolamento, agressividade, ansiedade, choro frequente e até voltar a urinar na cama merecem atenção.

“Lesões no corpo, principalmente nas regiões íntimas, além da baixa produtividade escolar, também podem ser sinais de alerta”, destaca.

Fabiana reforça que acolher a criança sem julgamentos é essencial.

Fabiana Gomes / Psicóloga / Ibertioga

Escuta e acolhimento

É muito importante que a criança seja ouvida com atenção e acolhimento. Muitas vezes, ela demonstra sinais antes mesmo de conseguir verbalizar o que está acontecendo. Ela precisa saber que será ouvida, acolhida, sem julgamentos e principalmente que ela não é a culpada de nenhuma forma.

Fabiana Gomes / Psicóloga / Ibertioga

A psicóloga complementa: "Quando você protege o agressor, a criança se torna um adulto ferido para sempre e ele continuará no ciclo de abusos. É responsabilidade de todos nós a proteção das nossas crianças e adolescentes".

Como denunciar

Nos últimos meses, operações da Polícia Federal e da Polícia Civil também intensificaram o combate à exploração sexual infantojuvenil em Minas Gerais, principalmente em crimes envolvendo compartilhamento de material de abuso sexual infantil pela internet.

As denúncias podem ser feitas de forma anônima pelo Disque 100, que funciona 24 horas por dia. A população também pode procurar Conselhos Tutelares, Polícia Militar, Polícia Civil e promotorias do Ministério Público.

O 18 de Maio foi instituído em memória de Araceli Crespo, menina assassinada em 1973 em um crime que se tornou símbolo da luta nacional contra a violência sexual infantil.


Fonte: Portal da Cidade Ibertioga

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