projeto inspirador
Projeto fortalece aprendizagem na Escola Menino Jesus, em Madre de Deus de Minas
Atividades literárias conduzidas pelo professor Felipe Trindade elevaram escrita, interpretação e fluência leitora das crianças
Publicado em
07/11/2025 às 14:24
Atualizado em
Da esquerda para a direita. De pé: Ana Júlia, Victor, Enzo, Pietro e Esdras. De joelhos: Gabriel Felipe, Davi, Gabriel José, Maria e Sara (Foto: Acervo pessoal professor do Felipe Trindade)
Ágatha, Ana Júlia, Cibele, Lara, Sophia, Maria e Lara (Foto: Acervo pessoal professor do Felipe Trindade)
Gabriel José, Lucas Esdras, Enzo, Davi, Gabriel Felipe e Victor (Foto: Acervo pessoal professor do Felipe Trindade)
Professor e estudantes em momento de descontração antes de atividades extraclasse (Foto: Acervo pessoal professor do Felipe Trindade)
Em Madre de Deus de Minas, um trabalho dedicado à leitura tem mostrado resultados importantes na Escola Municipal Menino Jesus. O professor Felipe Trindade Santos desenvolveu um projeto literário ao longo do ano, organizado a partir de práticas de imersão no universo dos livros e de acompanhamento contínuo das turmas.
A iniciativa integra o estudo apresentado no capítulo “Projetos Literários e Seu Alcance: uma análise a partir das contribuições do CAED”, publicado, no final de outubro de 2025, na Revista Brasileira de Ciências Humanas, que analisa como o incentivo à leitura pode transformar o processo de aprendizagem nos anos iniciais.
A proposta envolveu a reorganização da biblioteca da escola, com um horário semanal para que cada turma tivesse contato direto com livros, cores, imagens e histórias. Também foram realizadas a Semana Literária, atividades de interpretação coletiva e a ficha de leitura mensal, levada para casa, estimulando o envolvimento das famílias no processo.
Projeto entusiasma estudantes
Ao longo do ano, cada turma escolheu uma obra para aprofundamento, resultando em apresentações públicas com jograis, ilustrações, música e pequenas encenações. Um dos destaques foi o trabalho com o livro “Wangari: plantando árvores no Quênia”, que mobilizou imaginação, sensibilidade e troca de ideias entre os e as estudantes.
O impacto do projeto também pode ser visto nas relações que se estabelecem em sala. Ágatha Milena e Gabriel Felipe, ambos de nove anos, são alunos do 3º Ano. Ágatha conta que o “tio” Felipe é paciente e acompanha cada estudante com carinho: “Este ano eu aprendi muitas coisas diferentes. Mas ele é o único professor que faz brincadeiras na sala de aula. Ele é o melhor professor do mundo. Eu te amo, tio Felipe.” Já Gabriel reforça o cuidado no ensinar: “O tio Felipe é muito legal. Ele é um bom professor, cuida muito bem da gente. Eu aprendo muitas coisas com ele. Queria que ele continuasse sendo meu professor.”
Resultados impressionam
Os resultados analisados na plataforma CAED, que avalia fluência leitora, interpretação e escrita, mostram avanços significativos. O número de alunos e de alunas com aprendizagem adequada em Língua Portuguesa passou de 40% para 60%. A turma alcançou 100% das crianças em nível alto de escrita ao final do ciclo. Estudantes considerados leitores e leitoras fluentes passaram de um para nove ao longo do ano. Crianças que antes misturavam letras ou liam com dificuldade passaram a reconhecer palavras e a ler pequenos textos com autonomia.
Segundo o professor Felipe, acompanhar essa evolução é “um prazer enorme” e reforça o sentido do trabalho docente.
A diretora Suely das Graças de Mesquita Alves destaca que o educador trouxe um olhar sensível e participativo, tornando o processo mais leve e significativo: “Ele conseguiu cativar alunos e responsáveis, mostrando que a leitura pode ser encantamento e também conquista.”
O estudo conclui que a leitura, quando faz parte da rotina escolar de forma viva e afetiva, amplia horizontes e fortalece autonomia. Ao se perceberem como leitores e leitoras, os e as estudantes passaram a comentar histórias, pedir livros e, em alguns casos, escrever suas próprias narrativas — sinal de que a literatura continua encontrando espaço para florescer na infância.
Fonte: Portal da Cidade Ibertioga
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