Valorização
Queijo Minas Artesanal é reconhecido como Patrimônio da Humanidade pela Unesco
Na região, o representante deste tipo de queijo é o premiado Lasquinha, da Fazenda Saudade, em Ibertioga. Reconhecimento amplia o potencial turístico
Publicado em
06/12/2024 às 16:41
Atualizado em
Mateus Brandão e Tereza Rodrigues, da Fazenda Saudade, com o Lasquinha na mão (Foto: Fabrycio Júnior)
Lasquinha, premiado queijo produzido na Fazenda Saudade, em Ibertioga (Foto: Reprodução Redes Sociais)
Com mais de três séculos de história em Minas Gerais, os “Modos de Fazer” do Queijo Minas Artesanal (QMA) receberam o título de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco. O anúncio foi feito no dia 04 de dezembro, em cerimônia realizada em Assunção, no Paraguai, durante a 19ª Sessão do Comitê Intergovernamental para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial.
Desde 2008, os “modos de fazer” do QMA já possuíam reconhecimento nacional pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A história do queijo remonta ao século XVIII, durante a colonização portuguesa, quando a produção leiteira se tornou parte essencial do cotidiano nas fazendas mineiras.
Uma herança cultural única
O Queijo Minas Artesanal é fabricado em pequenas propriedades rurais a partir de leite cru e de receitas tradicionais transmitidas entre gerações. Esse processo preserva a identidade cultural e o sabor autêntico do produto, amplamente reconhecido no Brasil e no exterior.
Atualmente, 10 regiões mineiras produzem o QMA, incluindo Araxá, Canastra, Serro e Campo das Vertentes, onde fica Ibertioga, lar do premiado queijo Lasquinha, da Fazenda Saudade, único representante da região de cobertura do Portal, que inclui também os munícipios de Madre de Deus de Minas, Piedade do Rio Grande, Santa Rita de Ibitipoca e Santana do Garambéu.
O Lasquinha é produzido pelo casal Tereza Rodrigues e Mateus Brandão. Ela celebra o reconhecimento, destacando o impacto positivo na valorização do produto e na ampliação de mercados, especialmente relacionado ao turismo gastronômico.
No entanto, Tereza ressalta a importância de ações públicas mais efetivas para apoiar quem produz este tipo de queijo. “O ideal é que surjam políticas concretas para facilitar a nossa vida, como melhorar a logística, por exemplo, que é um grande desafio nosso; ou diminuir custos de exames que são obrigatórios no rebanho. O governo mineiro precisa se mobilizar pra não deixar essa tradição de fazer o QMA morrer. Queremos políticas para o dia a dia do pequeno produtor de queijo”. A produtora conta que o QMA é difícil de fazer porque diferentes fatores influenciam, como chuva, calor e frio, por exemplo.
Turismo de Experiência: Rotas do Queijo
A valorização do QMA também impulsiona o turismo de experiência. A Emater-MG, além de apoiar a candidatura junto ao Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA), criou a Rota do Queijo Terroir das Vertentes. O catálogo de experiências traz 26 municípios ligados ao Circuito Turístico Trilha dos Inconfidentes, como Barbacena, Coronel Xavier Chaves, Entre Rios de Minas, Lagoa Dourada, Piedade do Rio Grande, Prados, Resende Costa, Ritápolis, São João del-Rei, São Tiago e Tiradentes.
Nos roteiros, turistas podem descobrir os sabores da região e conhecer as raízes da gastronomia mineira, além de vivenciar a rotina de produtores e produtoras do QMA, as tradições e as técnicas que transformaram o produto em patrimônio imaterial da Humanidade.
Segundo a coordenadora técnica estadual de turismo rural e artesanato da Emater-MG, Thatiana Garcia, o catálogo, que conta com 92 experiências deve ser atualizado para mais de duzentas ainda este ano. Ela ressaltou a importância da conquista não só em relação ao produto, mas para o turismo rural como um todo. “As pessoas, cada vez mais, vão querer conhecer os motivos que levaram a esse reconhecimento. A gente fica numa expectativa muito grande pela procura por roteiros voltados para os queijos artesanais”.
A candidatura contou também com o apoio do Governo de Minas Gerais, por meio das secretarias de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa-MG) e de Cultura e Turismo (Secult), além do Sebrae Minas. O reconhecimento destaca não apenas a produção artesanal do queijo, mas também o forte vínculo das comunidades produtoras com a cultura, a hospitalidade e a tradição mineiras.
Fonte: Portal da Cidade Ibertioga
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