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Entre Emoções

Quando a depressão rouba a alegria de viver

Na coluna Entre Emoções, a psicóloga Fabiana Gomes fala sobre a depressão, seus impactos e a importância de reconhecer sinais e oferecer acolhimento

Publicado em 03/09/2026 às 19:28
Atualizado em

Fabiana Gomes (Foto: Acervo pessoal de Fabiana Gomes)

Homem com depressão (Foto: Ilustração Canva)

(Especial publicitário)


O Brasil tem o maior índice de depressão da América Latina, segundo a Organização Mundial da Saúde. Isso é um alerta para refletirmos no quão defasada está a nossa saúde mental.

A angústia gera um sofrimento de ansiedade, medo, incertezas sobre o momento presente da vida, diferente da tristeza, que é uma emoção normal do ser humano que vem em decorrência de algum motivo específico.

E a depressão... ela infelizmente é um transtorno mental grave, acompanhado de desequilíbrios químicos, fatores genéticos, questões emocionais profundas ou sem motivo aparente. Ela persiste, dura meses, anos, quando não tratada pode se tornar fatal. Ela rouba a alegria, os dias ficam cinzas, o sono vai embora, perde-se o apetite, nada traz motivação, a rotina paralisa.

A depressão pode se enconder atrás da alegria

Algumas pessoas que têm depressão não apresentam tristeza o tempo todo. A anedonia é o termo clínico que se refere à perda ou diminuição de sentir prazer, interesse e satisfação pelas coisas que antes trazia alegria e vontade de praticar atividades que antes eram significativas.

Por fora a pessoa age normalmente, cumpre a sua rotina, quem vê acha que está tudo normal, mas por dentro, a vida está apagada. E por conseguir viver de uma forma "normal", recebe falas como "isso é frescura", "está assim porque quer", "é preguiça", entre outros dizeres.

Quando, na verdade, cada dia que passa ela está perdendo a conexão com o mundo externo e com a vontade de viver. Quantos de nós já passamos pela experiência de se assustar com a notícia de uma pessoa que desistiu da vida e dizemos que jamais imaginaríamos, uma vez que essa pessoa, até então, apresentava-se "normal" e com sua rotina em dia? Era um pai/mãe de família, um/a trabalhador/a, um/a profissional renomado/a, um/a estudante, uma pessoa independente financeiramente, realizada perante a sociedade... 

Solidão e desesperança


Nesses momentos precisamos rever nossos preconceitos em julgar o externo e ter consciência de que cada um/a sabe a dor que carrega dentro de si. Às vezes, um sorriso se apresenta por fora, mas um grito de socorro ecoa por dentro.

Estamos em tempos em que a vida está acelerada, as comparações adoecem, os vínculos estão sendo fragilizados e rompidos, estamos ficando invisíveis. Vivemos em comunidade, mas nos perdemos na individualidade.

Consequentemente, cada vez mais, estamos desamparados/as, perdendo o sentimento de pertença e ficamos com o sentimento de estarmos sozinhos/as em meio à multidão. E nesse momento a pessoa portadora de depressão se sente cada vez mais invisível e sozinha, desiste de tentar encontrar esperança na dor que a está matando por dentro.

Importância do acolhimento

Dar atenção, ouvir, acolher, ser presente, são atos que estão entrando em extinção, visto que até a tecnologia roubou o contato presencial mesmo dentro das próprias casas entre familiares, ao invés de ser usada para facilitar o contato de quem está distante. Viramos estranhos/as dividindo a mesma casa.

Adoecemos no ambiente de trabalho, sofremos no âmbito familiar, temos lutos e perdas não processados, laços que se tornam amarras, idealizamos uma vida que, se não for realizada, nos aceitamos como fracassados/as. 

Quando dizemos, na psicologia, que a pessoa que pensa em morrer ela não quer de fato morrer, mas sim matar o que a está fazendo sofrer, vemos o quão intensa é essa dor interna que quase ninguém vê.

A ajuda psiquiatrica, medicamentosa e a terapia, vem para tratar a depressão de forma que a pessoa consiga voltar a ver as cores da vida, mas ela sozinha não consegue. Por isso a importância do apoio das pessoas próximas. Acolha, acompanhe, ouça, leve ao atendimento, porque a pessoa, em quadro de depressão não consegue se conduzir. Estenda a mão e principalmente não seja a pessoa que diz: "isso é falta de força de vontade", 

"Você tem tudo na vida", "tem gente pior", "é falta de Deus". Essas falas apenas a faz se sentir mais incapaz, incompreendida na sua dor e mais inclinada a desistência.

A depressão não rouba apenas uma vida, ela rouba uma mãe, um pai, um filho, uma pessoa amada do convívio. Em caso de dúvida, converse com uma psicóloga. 

 

Fabiana Gomes - Psicóloga

Consultório: Rua Piauí, 34 / 2º Andar

Centro - Ibertioga/MG

Contato: (32) 98486-3531

Atendimento online

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Fonte: Fabiana Gomes

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