Portal da Cidade Ibertioga

Invasão Venezuela

Comunidade venezuelana em Ibertioga acompanha invasão dos EUA no país vizinho

Moradoras e moradores da cidade relatam sentimentos mistos, contato com familiares e preocupação com o que pode acontecer no país de origem

Publicado em 03/01/2026 às 17:21
Atualizado em

Aviões dos Estados Unidos invadem e borbedeam Caracas, a capital da Venezuela (Foto: Redes Sociais)

Jesús Lopez (Foto: Arquivo pessoal Jesús Lopez)

Olga Medina (Foto: Arquivo pessoal Olga Medina)

Rosa Magalhães (Foto: Arquivo pessoal de Rosa Magalhães)

Na madrugada de 3 de janeiro de 2026, os Estados Unidos executaram a Operação Resolução Absoluta, uma intervenção militar direta que culminou na captura do líder venezuelano Nicolás Maduro e a esposa dele, Cilia Flores. A ação, coordenada pelo Comando Conjunto de Operações Especiais e executada por tropas de elite da Delta Force, envolveu ataques aéreos e explosões em pontos estratégicos da capital do país, Caracas, e regiões vizinhas, como La Guaira e Higuerote.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou a retirada de Maduro do território venezuelano, alegando que o ex-líder foi levado para os Estados Unidos para responder por acusações de narcoterrorismo e conspiração para importar cocaína. Trump declarou a intenção de controlar temporariamente o país e reconstruir a indústria petrolífera venezuelana — detentora das maiores reservas do mundo — com a participação direta de grandes corporações americanas.


Repercussão local

Em Ibertioga, a comunidade venezuelana recebeu a notícia com um misto de preocupação e alegria. O serralheiro Jesús Lopez vive na cidade desde 2018 com a esposa Omellys Martinez e quatro filhos. Ele conta que há muita tensão na Venezuela, com grande circulação de pessoas armadas, além da falta de eletricidade em muitos pontos do país. “Estamos acompanhando com muita calma e preocupação ao mesmo tempo”, afirmou.

Olga Lugo Medina vive em Ibertioga há cinco anos, com o marido Rómulo Angel Mongua e a filha, depois de passar um ano em Boa Vista, capital de Roraima. Ela trabalha em uma companhia de limpeza, em Barbacena. Para Olga, o que aconteceu na Venezuela foi uma boa ação do governo americano. “Graças ao presidente dos Estados Unidos, a Venezuela vai ser um país livre dessa ditadura”, comentou.

Olga tem falado com parentes no país de origem e explica que alguns estão assustados, sem saber o que pode acontecer. “Minha mãe disse que vão colocar um toque de recolher e isso afeta muito porque os supermercados não vão abrir e as pessoas não vão conseguir comprar comida. Uma das minhas irmãs disse que não podem falar pelas redes sociais porque estão grampeadas”. No entanto, segundo ela, todos os parentes estão bem.

Tensão na Venezuela

O Portal da Cidade Ibertioga também conversou com pessoas venezuelanas diretamente de Caracas. Uma mulher contou que ela e a família estão bem e em um lugar seguro. Segundo ela, os Estados Unidos bombardearam uma área próxima à residência do presidente da Venezuela, uma área militar e também alguns aeroportos. “Estamos tranquilos. Mas, não temos eletricidade, nem água. Mas, fizemos reservas porque estávamos nos preparando para isso, já que somos ameaçados há muito tempo. Estamos de olhos nas notícias. As pessoas estão nas ruas, há muita concentração popular. Mas eu e meu marido vamos ficar em casa com os bebês”, contou emocionada.

Um homem também entrevistado disse que está bem, apesar de tudo. “Agora as ruas estão vazias e as pessoas estão fazendo fila para comprar comida nos supermercados”, relatou.

Comunidade venezuelana em Ibertioga

Na cidade mineira, vivem cerca de 35 pessoas venezuelanas, que começaram a chegar em 2018, graças à solidariedade da aposentada Rosa Magalhães e um grupo de pessoas moradoras de Ibertioga que ofereceram apoio e acolhimento a imigrantes do país vizinho, através da ONG Refúgio 343. Rosa explica que descobriu que havia uma família refugiada da Venezuela, em Piedade, e se comoveu. “Resolvi acolher mais uma família aqui. Corri atrás de pessoas que também quisessem ser voluntárias e formamos o grupo. Entramos em contato com Piedade e foi assim que tudo começou”, explica.

A Refúgio 343 é uma organização humanitária brasileira, sem fins lucrativos, dedicada principalmente à reinserção socioeconômica de pessoas refugiadas e migrantes, com foco especial na crise migratória venezuelana. A ONG se destaca por ser uma das mais premiadas e reconhecidas do Brasil no setor humanitário, tendo sido eleita a Melhor ONG do Brasil em 2022 pelo Instituto Doar, organização que atua para fortalecer a cultura da doação e a transparência no terceiro setor.

Em 2018, a Venezuela viveu o ápice de uma catástrofe humanitária sem precedentes, impulsionada por uma hiperinflação de mais de um milhão por cento que pulverizou o poder de compra e gerou escassez generalizada de alimentos e remédios. O colapso dos serviços públicos e a instabilidade política transformaram a sobrevivência diária em um desafio extremo, forçando milhões pessoas venezuelanas a abandonar as próprias casas em um êxodo em massa para países vizinhos, como Brasil e Colômbia.


Veja imagens da invasão dos Estados Unidos na Venezuela, enviadas por moradores locais.


Fonte: Portal da Cidade Ibertioga

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