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luta e superação

Muay Thai que transforma: projeto gratuito já reúne 180 pessoas na região

Professor Victor Freitas leva disciplina, respeito e esporte a crianças, adolescentes e pessoas adultas em Santa Rita de Ibitipoca e Santana do Garambéu

Publicado em 14/09/2026 às 19:48
Atualizado em

Instrutor de muay thai, Victor Freitas (Foto: Acervo pessoal de Victor Freitas)

Ádrian José (camisa roxa) (Foto: Acervo pessoal de Ádrian José)

Alunas e alunos do muay thai (Foto: Acervo pessoal de Victor Freitas)

(Foto: Acervo pessoal de Victor Freitas)

(Foto: Acervo pessoal de Victor Freitas)

Victor Freitas com Adriely Helena e alunas do muay thai (Foto: Acervo pessoal de Adriely Helena)

O que começou com uma paixão pelo Muay Thai se transformou, ao longo dos anos, em um projeto que hoje alcança cerca de 180 pessoas, entre crianças, adolescentes e pessoas adultas. Em Santa Rita de Ibitipoca, nos distritos de Bom Jesus do Vermelho e Paraíso Garcia e, mais recentemente, em Santana do Garambéu, o professor de Educação Física Victor Freitas, de Ibertioga, encontrou no esporte uma forma de ensinar muito mais do que técnicas de luta.

Com aulas gratuitas, o projeto tem como principal proposta tornar o Muay Thai acessível a quem não teria condições de pagar por um treinamento. Mas, para quem participa, os ganhos vão muito além da atividade física. Disciplina, confiança, respeito, autocontrole e perseverança são alguns dos valores trabalhados durante os treinos.

E as portas continuam abertas para quem quiser participar.

Uma paixão que começou ainda na infância


Victor conheceu o Muay Thai aos 11 anos, durante uma aula experimental na Praça de Santo Antônio, em Ibertioga. Aos 12, começou a praticar em Barbacena. Desde então, a trajetória dele com o esporte passou por diferentes momentos, entre treinos, estudos, trabalho, empreendedorismo, pausas e recomeços.

Aos 17 anos, ingressou na faculdade de Educação Física e buscou aperfeiçoamento no Muay Thai, treinando em equipes de Barbacena e Juiz de Fora. A rotina de estudos, porém, dificultou a permanência em uma única equipe e os treinamentos acabaram sendo interrompidos.

Nesse período, Victor também empreendeu. Abriu uma casa de carnes em Ibertioga, que funcionou por cerca de um ano e meio, até que a pandemia de Covid-19 mudou os planos e levou ao encerramento do negócio.

Foi nesse momento que o Muay Thai voltou a ocupar um lugar central na vida dele.

Das derrotas ao propósito


Victor conheceu a Panther Team por meio do instrutor Eduardo, que havia iniciado um trabalho em Ibertioga. O retorno aos treinos foi acompanhado de dedicação e, em 2022, veio uma conquista importante: ele representou a equipe no Campeonato Mineiro, em Monsenhor Paulo, no Sul de Minas, e conquistou o título da categoria até 64 quilos.

Depois, o instrutor precisou interromper as aulas em Ibertioga por motivos pessoais, e Victor novamente ficou afastado dos treinos.

O sonho, entretanto, permanecia. Ele queria se tornar treinador e utilizar o Muay Thai como instrumento de transformação.

Já formado em Educação Física, abriu um centro de treinamento de CrossFit em Ibertioga e buscou trazer novamente a Panther Team para a cidade. O projeto não avançou como esperado e, depois de dois anos, o empreendimento também foi encerrado.

Foram dois negócios que chegaram ao fim, mas as experiências ajudaram Victor a compreender qual caminho queria seguir.

O esporte como oportunidade para todas e todos


A ideia de criar um projeto social nasceu justamente dessa percepção. Victor via que muitas pessoas tinham interesse pelo Muay Thai, mas não conseguiam arcar com uma mensalidade.

A proposta passou a ser oferecer o esporte gratuitamente às comunidades, formando não apenas atletas, mas também cidadãs e cidadãos.

Para colocar o projeto em prática, ele procurou o Mestre Andinho e apresentou a ideia. Recebeu incentivo, mas também ouviu que precisava passar por uma formação para conquistar a graduação de instrutor.

Victor aceitou o desafio, voltou a se dedicar aos treinamentos e alcançou a graduação necessária para começar a desenvolver o trabalho.

O primeiro município procurado foi Ibertioga, mas a proposta não foi aceita naquele momento. Em vez de desistir, ele buscou outro caminho.

Santa Rita abriu as portas

O projeto foi apresentado a Santa Rita de Ibitipoca há dois anos e encontrou receptividade por parte do município.

Por meio da Secretaria de Turismo, Esporte e Lazer, a iniciativa chegou ao CRAS, que ofereceu espaço, materiais e estrutura para o início das atividades. O resultado foi além do esperado.

Em menos de um ano, as aulas chegaram aos distritos de Bom Jesus do Vermelho e Paraíso Garcia. Alunas e alunos formados pelo projeto também passaram a representar Santa Rita de Ibitipoca em competições realizadas em diferentes cidades de Minas Gerais.

Agora, o trabalho caminha para o terceiro ano consecutivo no município.

Santana do Garambéu também entrou no projeto

Mais recentemente, Victor e Mestre Andinho apresentaram a proposta a Santana do Garambéu. A receptividade foi novamente positiva e as atividades começaram no município.

Somando os quatro locais atendidos — Santa Rita de Ibitipoca, Bom Jesus do Vermelho, Paraíso Garcia e Santana do Garambéu — o projeto reúne atualmente cerca de 180 alunas e alunos, com idades que vão dos sete aos 50 anos.

A intenção é continuar crescendo e chegar a outras comunidades.

“Disciplina que transforma”

Victor ainda não deu um nome oficial ao projeto, mas já encontrou uma expressão que resume o que pretende transmitir às alunas e aos alunos: “Disciplina que transforma”.

A escolha não é por acaso. Para ele, a própria história é uma demonstração de que disciplina e persistência podem mudar rumos.

“Minha trajetória nunca foi feita de caminhos fáceis. Ela foi construída com desafios, recomeços e, acima de tudo, pela certeza de que eu não poderia desistir do meu propósito.”

Nos treinos, a proposta vai muito além dos golpes e das técnicas do Muay Thai. O trabalho procura desenvolver disciplina, respeito, educação, autocontrole e perseverança.

Para Victor, o maior resultado não está necessariamente nas medalhas conquistadas nos tatames.

Victor Freitas / Instrutor de Muay Thai

Propósito

Hoje tenho a certeza de que meu maior título não são as medalhas conquistadas nos tatames, mas a oportunidade de transformar vidas através do Muay Thai. Esse sempre foi o meu verdadeiro propósito

Victor Freitas / Instrutor de Muay Thai

Quem pratica também sente a transformação

As próprias alunas e alunos relatam mudanças que ultrapassam o condicionamento físico.

Para Mateus Elias, 27 anos, diarista, o Muay Thai representa respeito, educação e responsabilidade. Ele também destaca o potencial do esporte para ajudar pessoas que enfrentam depressão ou outras dificuldades e para incentivar a continuidade de seus objetivos.

Luan Rivelino, 15 anos, resume a experiência em duas palavras: disciplina e respeito.

Para Adrielly Helena, 23 anos, doméstica, a motivação inicial era aprender a se defender. Quase dois anos depois, ela percebe que a relação com o esporte mudou.


“O Muay Thai hoje para mim representa força. É o lugar onde eu desestresso, onde eu tiro tudo que está me incomodando e transformo em energia.”

Segundo Adrielly, os treinos também ensinaram disciplina, respeito e a importância de continuar mesmo diante das dificuldades.

Ádrian José, 25 anos, servente, também destaca a dimensão pessoal do esporte. Para ele, cada treino ajuda a desenvolver disciplina, superação e autocontrole, além de fortalecer a mente e aumentar a motivação para evoluir como pessoa.

Já João Renato do Nascimento Fonseca, 15 anos, define o Muay Thai como uma escola de disciplina, coragem, respeito e superação. “Cada treino me fortalece não apenas o corpo, mas também o caráter e a mente.”

Projeto é gratuito e continua de portas abertas

Além de ampliar o acesso ao esporte, Victor quer que o projeto continue chegando a pessoas que talvez nunca tivessem a oportunidade de conhecer o Muay Thai.

E não é preciso esperar por uma nova turma. Segundo o professor, quem tiver interesse pode procurar os CRAS dos municípios onde o projeto é desenvolvido e fazer a inscrição. No local, são informados os dias e horários das aulas.

O contato também pode ser feito diretamente com Victor para esclarecimento de dúvidas. Tudo é gratuito.

A história de Victor mostra que um esporte que chegou à vida dele vida ainda na infância acabou se tornando uma ferramenta para alcançar outras pessoas. Depois de três anos dedicados à construção desse sonho, a luta que ele ensina parece ter pouco a ver com vencer alguém no tatame. É, sobretudo, sobre aprender a não desistir de si mesmo.


Fonte: Portal da Cidade Ibertioga

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